terça-feira, novembro 22

Le Petit Cheff


    Cozinhar não é o agrado de todos os seres humanos. Isso porque a maioria acha que para se fazer um prato gostoso, é necessário perder horas em pé descascando batatas ou gastar mundos e fundos em peixes e temperos caros. Pois bem, isso não é uma verdade absoluta. E por mais que muitos achem um miojo a coisa mais deliciosa no mundo, meus sentimentos ao seu estômago, que não conhece as delícias que seu dono pode criar em meia hora.
    Comecei o blog com um cara, fiz uma plástica e estou começando a pagar as prestações da próxima. Comecei uma faculdade e abandonei. Tive projetos jogados no lixo como se joga um chiclet mascado e sem gosto. Perdi estrelas importantes do meu céu. Arranjei decepções e tristezas. Perdi confiança, amor, sentimentos gostosos. Muita coisa muda em um tempo extraordinariamente curto.
    Quando me mudei, morava com mais duas meninas que, diga-se de passagem, não eram muito fáceis de se conviver. Conheci muita gente nova e de várias partes desse nosso Brasil, mas pouquíssimos deles posso dizer que são meus amigos que, mesmo distantes fisicamente, acabaram tomando um lugar tão importante quanto os que eu já conhecia a anos.
    Sozinha em uma cidade quatro vezes maior que a minha e até então sem amigos, cai num mar de tristeza e saudade. A saída: doces. Mas meu orçamento era curto e isso me obrigou a fazer duas coisas: arranjar um trabalho de garçonete nos finais de semana e cozinhar meus próprios doces. Tanto por uma coisa quanto pela outra, tomei um gosto enorme. O bar era pequeno e com um bom nível, o que fazia com que a clientela fosse melhor e, mesmo bêbada, educada. O fogão de casa era horrível. Tive que me virar e desvirar algumas vezes.
Alimentação universitária
    Dei adeus à UNESP e à física e deixei meus amigos em São José do Rio Preto [ou Hell Preto para os íntimos]. Voltei para uma cidade que gera uma depressão inquestionável até no ser humano mais alegre deste mundo. Infelizmente Felizmente, eu continuei a cozinhar e fazer meus doces e pesquisar cada dia mais um pouco sobre gastronomia e sua ampla aplicação, desde o prato mais simples até rechear um peru com um pato recheado com um frango recheado com uma trufa [se você acha isso muito estranho não tem ideia de como fica lindo!].
    Na primeira vez, dei um passo maior que a minha perna e acabei caindo. Agora, em pé novamente, estou indo com passinhos bem pequenos, para eu sequer perder o equilíbrio. Até agora está dando certo e se as coisas continuarem assim, em dois anos consigo pagar a minha faculdade de gastronomia e abrir uma doceria, a Tortura =)
    Muito prazer, eu mudei.

Sempre no meu coração. Obrigada por tudo.

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