segunda-feira, janeiro 17

Os beijos...

   Era o momento. Eu, ele, sentados como desconhecidos que eramos. Ele ao meu lado com uma das mãos escondida ao lado da minha perna, brincando e me fazendo sentir cada gota de álcool que circulava em meu sangue. Aquele corpo magro e longilíneo que parecia tão distante, num segundo colou em toda a extensão do meu: dos all stars aos ombros, passando pelas pernas, por nossas mãos entrelaçadas escondidas entre nós, pelos braços e chegando às nossas bocas afobadas. Seus braços me cobriram e um arrepio escalou minha espinha, e depois de tanto tempo, eu estava ali novamente, embriagada pelas minhas lágrimas, que por tanto tempo quiseram cair, e protegida do mundo por um outro braço que eu desconhecia. De novo. Não era a mesma sensação, nem o mesmo homem, lugar ou tempo, mas os gestos, os olhares e o meu coração se confundiram com aquilo...
    Andando com o seu braço me protegendo, eu não sabia para onde ia, não tinha a noção do tempo que passava. Ele se postou sentado à minha frente. Beijava nervosamente minha boca e depois de enjoar dela, resolveu descer pelo meu pescoço, centímetro a centímetro, passou pelo colo e decidiu ficar próximo ao meu coração, fazendo movimentos com os quais eu conseguia sentir meu corpo inteiro se arrepiar numa estranha sensação de frio e prazer.
    Enquanto me beijava, me pressionou contra o seu corpo, me fazendo esquecer do restante do mundo, me fazendo não enxergar mais nada. Nenhuma outra pessoa daquele lugar existia mais, e todo o tempo também parecia não existir...
    Ele foi tudo, por uma noite. Foi romântico, especial, delicado e feroz. E isso foi tão bom, que se repetiu por tantas outras noites, o engraçado foi passar outras noites TÃO iguais com outros corpos, outras bocas, todas tomando as mesmas atitudes. Todas elas sendo iguais. Todos eles, sendo o que de melhor tinham: o beijo, o amasso e o sexo, e só. E todos os próximos serão assim, até quando? Eu já estava cansada de falsos sentimentos e quanto menos eu quero, mais me aparecem; mais falsos se tornam os meus...
    Um beijo, por mais simples e inocente que seja, tem muito mais valor que qualquer outra coisa... mais do que sexo ou coisas assim, do gênero 'carnal'. Não brinque de beijar.
José de Almeida
Ouvindo Forgive Me - Ida Maria

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